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Quais erros fazem o Imposto de Renda cair na malha fina?

Cair na malha fina do Imposto de Renda não significa, por si só, que houve fraude ou má-fé.

Na maioria dos casos, a Receita Federal identificou alguma diferença entre o que foi declarado pelo contribuinte e as informações recebidas de empresas, bancos, clínicas, planos de saúde ou outras fontes.

O ponto principal é entender a origem dessa diferença.

Em alguns casos, o caminho será corrigir a declaração. Em outros, será apresentar documentos para comprovar que a informação declarada estava correta. E há situações em que a resposta precisa ser mais estratégica, especialmente quando já existe intimação ou risco de cobrança.

No escritório, esse tipo de caso costuma chegar com uma dúvida central: “eu devo retificar ou devo me defender?”

Essa pergunta é mais importante do que parece.

Imposto de Renda: o que significa cair na malha fina?

A malha fina é uma etapa de análise da Receita Federal. Depois que a declaração é enviada, os dados passam por cruzamentos automáticos.

Quando o sistema identifica inconsistências, a declaração pode ficar com pendência no processamento.

A própria Receita informa que o contribuinte pode consultar o motivo da pendência no serviço “Pendências de malha”, dentro do sistema Meu Imposto de Renda.

Isso significa que o primeiro passo não é sair corrigindo tudo de forma apressada. O ideal é entender o que a Receita apontou.

1. Omissão de rendimentos

Esse é um dos erros mais frequentes.

Acontece quando o contribuinte deixa de informar algum rendimento recebido durante o ano, como salário, aluguel, aposentadoria, pensão, trabalho autônomo ou valores recebidos de mais de uma fonte pagadora.

A Receita recebe informações de empresas, bancos e outras instituições. Se uma fonte pagadora informa um valor e esse rendimento não aparece na declaração, a divergência pode levar à malha fina.

Esse erro é comum em pessoas que trocaram de emprego, fizeram trabalhos extras ou receberam valores eventuais durante o ano.

2. Despesas médicas sem comprovação

As despesas médicas costumam gerar muitas pendências.

Isso acontece porque esses gastos podem reduzir o imposto devido ou aumentar a restituição. Por esse motivo, são analisados com atenção.

O problema pode surgir quando o contribuinte declara uma despesa médica, mas não possui recibo, nota fiscal ou documento adequado para comprovar o pagamento.

Também pode haver divergência entre o valor declarado pelo contribuinte e o valor informado pelo profissional de saúde ou clínica.

A Receita orienta que, em caso de malha fiscal envolvendo despesas médicas, o contribuinte apresente todos os comprovantes das despesas declaradas, e não apenas aqueles relacionados às inconsistências apontadas

3. Informar dependentes de forma incorreta

Dependente no Imposto de Renda não é qualquer pessoa que recebe ajuda financeira.

Existem regras.

Esse erro aparece quando o contribuinte inclui filho, pai, mãe ou outro familiar sem verificar se aquela pessoa realmente poderia constar como dependente.

Também há situações em que o dependente teve renda, mas essa renda não foi informada na declaração.

Outro caso comum acontece quando duas pessoas declaram o mesmo dependente.

Quando a Receita questiona esse ponto, não basta dizer que havia ajuda financeira. É preciso demonstrar que aquela pessoa podia ser declarada como dependente e que as informações foram prestadas corretamente.

4. Diferença entre o informe de rendimentos e a declaração

Muitas pessoas preenchem a declaração com base em anotações próprias, extratos bancários ou valores aproximados.

Esse é um risco.

O ideal é usar os informes oficiais de rendimentos fornecidos por empregadores, bancos, instituições financeiras, planos de previdência e demais fontes pagadoras.

Se o valor informado na declaração não coincidir com o dado enviado pela fonte pagadora, a Receita pode identificar a diferença.

Às vezes, o contribuinte declarou corretamente com base no documento que tinha, mas a fonte pagadora enviou informação diferente. Nesses casos, é importante verificar a origem da divergência antes de retificar.

5. Imposto de Renda: Erros na declaração de aluguéis ou não declarar aluguel

Quem recebe aluguel precisa declarar esses valores.

O erro acontece quando a pessoa declara o imóvel, mas esquece de declarar a renda gerada por ele.

Também pode haver problema quando apenas parte dos aluguéis é informada ou quando o contribuinte não observa o recolhimento mensal do imposto, quando ele seria devido.

Esse tipo de pendência costuma exigir uma análise do histórico: quanto foi recebido, de quem veio o pagamento, quais documentos existem e se houve imposto a recolher.

Em alguns casos, a correção pode ser simples. Em outros, pode haver cobrança.

6. Imposto de Renda: erros com pensão alimentícia

A pensão alimentícia costuma gerar confusão no Imposto de Renda.

Muita gente acredita que basta informar o valor pago ou recebido.

Mas, quando a Receita questiona, pode ser necessário comprovar de onde veio aquela obrigação.

Isso significa apresentar documentos como decisão judicial, acordo formalizado ou escritura pública, quando for o caso.

Na prática, o problema normalmente não está apenas no valor. Está na falta de documentos para explicar aquela informação quando a Receita pede esclarecimentos.

7. Ter aumento de patrimônio sem explicar a origem do dinheiro

Comprar imóvel, veículo ou fazer investimentos não é um problema. O problema aparece quando a renda declarada não parece suficiente para justificar aquele patrimônio.

Por exemplo: a pessoa declara uma renda baixa, mas compra um bem de valor alto no mesmo ano.

Isso não significa automaticamente irregularidade. O dinheiro pode ter vindo de venda de outro bem, herança, doação, empréstimo ou economia acumulada.

Mas essa origem precisa estar clara.

Quando esse ponto é questionado, não basta corrigir um campo da declaração. É preciso organizar a explicação patrimonial com documentos.

8. Receber valores do exterior sem avaliar a situação fiscal

Esse ponto é muito comum para brasileiros que moram fora do Brasil ou recebem valores de outro país.

Algumas pessoas acreditam que, por estarem no exterior, não precisam mais se preocupar com a Receita Federal brasileira.

Nem sempre é assim.

A resposta depende da residência fiscal, da existência ou não de saída definitiva, da origem dos valores e da forma como a declaração foi feita.

Esse é um tema em que uma resposta genérica pode causar problema. Antes de corrigir qualquer informação, é preciso entender se a pessoa ainda tinha obrigação de declarar no Brasil.

Imposto de Renda: Retificar sempre resolve?

Não.

A retificação pode resolver quando existe um erro real na declaração.

Mas, se a informação declarada está correta e a Receita quer apenas comprovação, o caminho pode ser apresentar documentos.

E, se já existe intimação, notificação ou cobrança, a situação precisa ser analisada com mais cuidado.

No escritório, a análise costuma partir de três perguntas:

  1. A declaração realmente está errada?
  2. A Receita já enviou alguma intimação?
  3. Existem documentos para comprovar o que foi declarado?

 

A resposta a essas perguntas ajuda a definir o caminho: corrigir, comprovar ou apresentar defesa.

Imposto de Renda: Quando procurar um advogado tributarista?

Nem toda pendência no Imposto de Renda precisa de advogado. Mas a orientação jurídica pode ser importante quando existe dúvida sobre o melhor caminho.

Isso costuma acontecer quando a Receita já enviou intimação, quando há risco de multa, quando o contribuinte entende que declarou corretamente ou quando há valores relevantes envolvidos.

Também é recomendável buscar orientação quando a pendência envolve rendimentos do exterior, mais de um ano de declaração ou dificuldade para reunir documentos.

A atuação do advogado tributarista não substitui o contador.

O contador é muito importante no preenchimento e na organização da declaração. Já o advogado atua quando existe discussão com a Receita, risco de cobrança ou necessidade de avaliar uma resposta administrativa.

Os erros que mais fazem o Imposto de Renda cair na malha fina envolvem rendimentos não declarados, despesas médicas sem comprovação, dependentes informados de forma errada, divergência com informes, aluguel, pensão alimentícia, aumento de patrimônio sem explicação e valores recebidos do exterior.

Mas o mais importante é não tratar todos os casos da mesma forma.

Às vezes, o caminho é retificar. Às vezes, é apresentar documentos.

E, em alguns casos, é preciso construir uma resposta mais cuidadosa para a Receita Federal.

Cada situação envolve detalhes específicos. Por isso, antes de iniciar qualquer pedido, é importante se consultar com um advogado especialista.

Perguntas Frequentes

Cair na malha fina significa que fiz algo errado?

Não necessariamente. Pode haver erro, mas também pode existir apenas uma divergência de informação ou necessidade de apresentar documentos.

Pode ser possível quando existe erro real na declaração. Mas, se a declaração está correta, pode ser melhor apresentar documentos.

Depende do estágio do procedimento. Por isso, antes de retificar após uma intimação, é importante analisar a situação.

Roneide Braga, advogada especialista em Direito Tributário pela USP e graduanda em Ciências Contábeis. Escritório com atuação exclusiva em Direito Tributário, Fiscal e Crimes Fiscais.